Prefeitura Municipal de Boa Esperança

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Institucional

Pessoas ilustres.

por Ascom

18/04/2013 09:00

 

Dr. Joaquim Vilela

Dr. Joaquim Vilela

Dr. Joaquim Vilela nasceu no dia 7 de abril de 1896 na Fazenda Mandioca, na época distrito de Ilicínea, município de Boa Esperança. Filho de José Miguel Vilela e Felicidade Umbelina Vilela, teve quatro irmãos.

Passou sua infância na Fazenda Mandioca, onde iniciou seus estudos primários de 1908 até 1909 na escola particular em casa de seus pais. Continuou seus estudos no Colégio Azarias, em Lavras; Colégio São Paulo, em Carmo do Rio Claro; Instituto O Grambery, em Juiz de Fora, onde completou curso ginasial, e no Colégio Pedro II, no Rio de Janeiro.

Em 1917 prestou vestibular e matriculou-se na Faculdade Nacional de Medicina do Rio de Janeiro, onde formou-se em 1922, especializando-se em Clínica Médica, Obstetrícia e Ginecologia.

Defendeu tese, sendo aprovado com distinção e louvor, conquistando seu primeiro prêmio: “Torres Homem”. Trabalhou no IPASE, no Rio de Janeiro, no setor de Pediatria.

Em 1923 instalou-se em Boa Esperança, como médico credenciado para atender em Clínica Médica, Obstetrícia e Ginecologia na Santa Casa de Misericórdia. Casou-se com D. Nazareth Resende.

E sua atuação não se limitou ao campo da Medicina. Verdadeiro líder de seu povo, foi por três vezes prefeito, sendo duas eleito e uma nomeado por Getúlio Vargas. Durante estes períodos, apesar dos poucos recursos da Prefeitura, demonstrou seu dinamismo, transformando Boa Esperança numa cidade moderna, com pavimentação nas principais vias públicas, linhas urbanísticas apreciadas e instalando a Cemig. Batalhou intensamente na criação do Colégio Padre Júlio Maria, trazendo para Boa Esperança as Irmãs Sacramentinas, que foram também encaminhadas para a direção da Santa Casa de Misericórdia e da Vila Vicentina, e do Colégio São José, dando oportunidade aos jovens não só de Boa Esperança, como das várias cidades vizinhas aperfeiçoarem seus estudos. Criou escolas rurais e posto de saúde. Todas as entidades de cunho social, filantrópica e trabalhista foram impulsionadas na criação pelo incansável Dr. Joaquim Vilela.

Foi também um dos fundadores e primeiro presidente do Rotary Club de Boa Esperança, entidade que tem prestado os mais relevantes serviços à comunidade. Ocupou cargos como Membro do Conselho Fiscal da Diretoria de Furnas, representante do Conselho de Lavradores do Instituto Mineiro do Café, representante da Lavoura de Minas Gerais e orador oficial em diversas circunstâncias, sempre representando seu povo onde quer que fosse solicitado.

Dr. Joaquim Vilela, no exercício de sua nobre profissão de médico, jamais deixou de atender com dedicação e amor a todos que o procurava. Dentre as diversas homenagens que recebeu pelos relevantes serviços prestados, destacam-se: 


•Comenda Fundador José Alves de Figueiredo
•Cidadão Honorário de Campo do Meio
•Diploma da Insígnia da Inconfidência
•Diploma de “Mérito Médico” pela Academia Mineira de Medicina.
•Título Paul Harris, dado pelo Rotary às pessoas que praticam o ideal de servir.
•Comendas de Honra ao Mérito, Tiradentes e Santos Dumont, pelos governadores Israel Pinheiro e Newton Cardoso.
•Homenagem da Sociedade de Cardiologia de Poços de Caldas, presidida pelo Dr. José Izalino Ferreira, em sessão solene, com a presença de professores, cardiologistas e do professor Zerbini, cardiologista de renomada cultura.
•Reconhecimento aos seus 50 anos de vida profissional pelo Lyons Club local com a colocação de seu busto na Praça Pública que leva seu nome.

Respeitado, amado e reconhecido por todos pelo seu talento, sua incansável dedicação e seu grande desprendimento, ainda profundamente humano, sensível, participativo, solidário e incansável. Dr Vilela esteve sempre pronto a servir e certamente, por isso, viveu com tanto prazer.

 

 

 

Pessoas ilustres BE.

Nelson Freire

 

"DIZER QUE É BRILHANTE É DIZER POUCO. NELSON FREIRE VAI ALÉM DAS SUPERFICIALIDADES PARA ALCANçAR A PROFUNDIDADE DAS IDÉIAS DO COMPOSITOR."
(MICHAEL DONALDSON - WASHINGTON STAR)

Nascido em Boa Esperança, MG, em 18 de outubro de 1944, filho do saudoso casal, farmacêutico José Freire da Silva e de dona Augusta Pinto Neves.

Estudou, a partir dos cinco anos, com as professoras Lúcia Branco e Nise Obino, no Rio de Janeiro; subseqüentemente, com o professor Bruno Seidlhofer, na Academia Musical de Viena, obtendo, posteriormente, orientação de aperfeiçoamento com os professores Nikita Magaloff e Stefan Askenase.

Concertista em tournées permanentes em quatro continentes, Nelson Freire passou a integrar-se como membro efetivo do pequeno e seletíssimo grupo dos embaixadores universais da música erudita.

São memoráveis marcos na carreira de Nelson Freire a conquista do "Prêmio Édison" do disco (Holanda) por sua gravação dos 24 prelúdios de Chopin; a "Medalha Dino Lipatti", conferida pela organização Harriett Cohen (Inglaterra) como na época, maior talento internacional da nova geração de recitalistas; a conquista, pouco antes ainda, do 1° Prêmio do Concurso Internacional Vianna da Motta (Portugal); suas repetidas Tournées internacionais com a "Royal Phylarmonic Orchestra" de Londres; as cinco noites consecutivas com a "New York Phylarmonic Orchestra", na abertura oficial do ano musical, iniciada em 1° de janeiro de 70 em Nova York-USA, que lhe valeram ampla reportagem da revista "Time"; suas repetidas voltas ao Japão para intensas tournées e, em meio a toda esta atividade, suas deslumbrantes gravaçães.

Hoje, Nelson Freire é considerado um dos maiores pianistas do mundo, sempre levando o nome de Boa Esperança aos píncaros da fama. A crítica é unânime em proclamar o famoso pianista, um gênio que se impôs por seu estupendo vituosismo. Ria e na sua economia.

 

 

Pessoas ilustres BE.

Newton Freire Maia

Newton Freire Maia, nasceu em 29 de junho de 1918, na cidade de Boa Esperança, no sul do estado de Minas Gerais. Era filho de Belini Augusto Maia e dona Castora Freire Maia.
Além de Newton, tiveram mais 6 filhos, sendo que dois deles também foram homens da Ciência (Ademar Freire Maia e Lineu Freire Maia). Ademar Freire Maia era casado com Dértia Freire Maia.
Seu avô paterno era Domiciano Fulgêncio Maia.
Newton, do seu primeiro casamento com dona Flávia Leite Naves Freire Maia, com a qual viveu por 24 anos até o falecimento dela, teve quatro filhos e nove netos. São seus filhos: Regina Flávia Naves Freire Maia, Maria de Fátima Naves Freire Maia, Newton Freire Maia Filho (já falecido) e Marco Domiciano Naves Freire Maia
Casou-se depois então com a professora Eleidi Alice Chautard Freire Maia, geneticista, com a qual viveu por 29 anos, até falecer. Era primo em 2° grau de Nelson Freire.

Sua Carreira Profissional


Newton Freire Maia, era ocupante da cadeira de número 4 da Academia Dorense de Letras, cujo patrono era Domiciano Fulgêncio Maia, seu avô.
Newton Freire Maia, desenvolveu essa característica científica, sob a influência maravilhosa de seu pai, que era farmacêutico; e de seu avô paterno, Domiciano Fulgêncio Maia, cientista amador, do qual recebeu influência decisiva para desenvolver seu amor profundo pela ciência.
O avô paterno, Domiciano, tinha um laboratório, no qual, entre outras coisas, produzia gás hidrogênio, utilizado pelos garotos em seus balões. Foi ali que ele pode realizar observações e experiências e encantar-se com elas.
Aos 15 anos decidiu ser cientista. Dizia também que "os caminhos para essa meta não se abriam diante dele com a nitidez e a simplicidade dos rumos que tomaram os seus colegas".
Afinal, depois de alguns tropeços e atropelos, já com 24 anos de idade, começou a ser cientista em genética de drosófilas, pelas mãos de Dreyfus e Pavan, no ano de 1946.
Newton Freire Maia passou a residir no Paraná no ano de 1951.
Formado em Odontologia, já havia decidido dedicar-se à Biologia e à Genética. Por indicação do Professor Padre Jesus Santiago Moure, aceitara o convite do Professor Homero de Mello Braga para ministrar a disciplina de Biologia Geral para os alunos de História Natural da antiga Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras e instalar um Laboratório de Genética, para continuar na Universidade Federal do Paraná as pesquisas que tinha iniciado na Universidade de São Paulo sobre genética das populações de Drosophila.
De 1956 a 1957 esteve durante um ano na Universidade de Michigan, com bolsa da Fundação Rockfeller, quando passou a estudar Genética Humana.
Em 1958, o Laboratório de Genética da Universidade Federal do Paraná transformou-se então em Laboratório de Genética Humana e a equipe do Professor Newton, pioneiro na área de Genética Humana e Médica, no Brasil, passou a pesquisar sobre casamentos consangüíneos e malformações dos membros. Esse grupo e seus discípulos originaram o atual Departamento de Genética do Setor de Ciências Biológicas da Universidade Federal do Paraná.
Newton Freire-Maia foi também pioneiro na implantação de um Serviço de Aconselhamento Genético.
Doutorou-se em Ciências Biológicas pela Universidade Federal do Rio de Janeiro em 1960, com uma tese sobre Casamentos Consangüíneos no Brasil. Até o início da década de 1970, foi Chefe do Departamento de Genética da Universidade Federal do Paraná.
Publicou mais de 200 artigos completos em periódicos científicos especializados e duas dezenas de livros ao longo de sua carreira, além de 22 capítulos de livros e de numerosos artigos de divulgação, em jornais e revistas.
O Professor Doutor Newton Freire Maia faleceu no dia 10 de maio de 2002, em Curitiba, aos 84 anos de idade.

Newton Freire Maia era geneticista, com doutorado em Ciências Naturais pela Universidade Federal do Rio de Janeiro. Era pesquisador do CNPq e professor emérito sênior da Universidade Federal do Paraná. Ex-cientista da Organização Mundial da Saúde, em Genebra, e ex-bolsista da Fundação Rockefeller, dos Estados Unidos, publicou perto de 300 trabalhos, principalmente no Exterior, além de 18 livros, sendo 16 no Brasil e dois nos Estados Unidos.
Era membro titular da Academia Brasileira de Ciências, presidente de honra da SBPC e diretor do Instituto Ciência e Fé.
Ele é considerado um dos precursores da genética humana no Brasil, e foi o criador do Departamento de Genética em Curitiba e recebeu durante sua vida diversos prêmios e inúmeras homenagens. A última foi pouco antes de falecer em Brasília do então presidente Fernando Henrique Cardoso.

PARQUE DA CIÊNCIA NEWTON FREIRE MAIA
O Parque Newton Freire Maia é um espaço dedicado a divulgação científica e tecnológica. Busca-se o incentivo para a discussão à respeito do caráter humano presente nestas atividades e a importância de uma análise crítica dos impactos sociais, culturais e ambientais do progresso científico e tecnológico.
Utilizando-se de recursos lúdicos inter e transdisciplinares destinados a causar emoções no público, o ambiente do Exploratório propicia ao visitante a oportunidade de interação com experimentos clássicos e discussão sobre temas científicos, almejando-se a valorização do ser humano e a sustentabilidade do meio ambiente. Além disso, é um recurso amplamente utilizado por professores das mais diversas áreas, oportunizando a possibilidade de complementar uma enorme gama de assuntos vistos em ambiente escolar.
Através de recursos didáticos, multimídia, experimentos, painéis, ilustrações, oficinas e visitas orientadas, a equipe de monitores leva o visitante a um fascinante caminho através do desenvolvimento científico e tecnológico, sempre enfocando os princípios que nortearam tais avanços.

Justificativa Ambiental

O Parque Newton Freire Maia está localizado na Área de Proteção Ambiental do Rio Iraí que compreende parte de 5 municípios da Região Metropolitana de Curitiba: Pinhais, Piraquara, Quatro Barras, Campina Grande do Sul e Colombo.
A APA-Iraí ocupa 11.000 hectares protegido por um Zoneamento Ecológico aprovado pelo Conselho Gestor de Mananciais, com decreto estadual datado de 12/06/2000.
As áreas de preservação de mananciais objetivam garantir a qualidade hídrica e dar uso adequado às áreas adjacentes às bacias de contribuição.
Esta intervenção possibilita a compatibilização da política preservacionista com o conjunto de ações sustentáveis econômica e sócio ambiental, alavancando o turismo regional.
No Paraná, a política ambiental tem sido um elemento característico que se evidencia no cuidado com os rios, fontes, lagos, botânica e fauna associados a um trabalho educativo.

Atuações

O Parque Newton Freire Maia atua, principalmente, na divulgação científica e tecnológica, na educação ambiental, sediando e promovendo eventos que visam popularizar a ciência, auxiliando o professor na complementação dos temas que são abordados na escola.
No entanto, também é um bem a disposição da comunidade para aproximá-la do fascinante mundo das descobertas científicas.

Instituições

A ciência da agroecologia existe para estudar e aplicar princípios ecológicos no desenvolvimento e manejo de agroecossistemas sustentáveis. Para viabilizar projetos e difundir idéias junto a técnicos, produtores e consumidores foi criado o CPRA - Centro Paranaense de Referência em Agroecologia - popularmente conhecido como Fazenda Orgânica.
O CPRA originou-se da Integração do Parque Newton Freire Maia – PNFM, da Estação Ambiental do Cangüiri – IAPAR, da Fazenda Experimental do Cangüiri – UFPR, do Mundo do Campo – EMATER, das Fazendas do Hospital Psiquiátrico Adauto Botelho – SESA, da Colônia Penal Agrícola e Complexo Médico Penal – SEJU, e do Parque das Nascentes – SANEPAR/SUDERHSA. O CPRA ocupa cerca de 1.500ha do entorno da área de Proteção Ambiental da Represa do Iraí.

Oficinas
As oficinas do Parque Newton Freire Maia foram elaboradas tomando como meta, auxiliar os educadores da rede pública e privada de ensino, aprofundando temas vistos em sala através dos recursos disponíveis no Exploratório.
Também são indicadas para os visitantes que desejam aprofundar-se mais em uma determinada área, obtendo mais informações sobre um tema específico.
Atualmente, o Parque Newton Freire Maia dispõe de seis oficinas nas áreas de Astronomia, Biologia, Geografia, Matemática e Química. 

 

 

Rubem Alves


Nasci no dia 15 de setembro de 1933. Sobre o meu nascimento veja a crônica Que bom que eles se casaram. Faça as contas para saber quantos anos não tenho. Que "não tenho", sim; porque o número que você vai encontrar se refere aos anos que não tenho mais, para sempre perdidos no passado. Os que ainda tenho, não sei, ninguém sabe. Nasci no sul de Minas, em Boa Esperança que, naquele tempo, se chamava Dores da Boa Esperança. Depois tiraram o "Dores". Pena, porque Dores de Boa Esperança são dores de parto: há dores que anunciam o futuro. Boa Esperança é conhecida mais pela serra que o Lamartine Babo, ferido por um amor impossível, transformou em canção: "Serra da Boa Esperança", que você ouviu logo que entrou na minha casa.

Meu pai era rico, quebrou, ficou pobre. Tivemos de nos mudar. Dos tempos de pobreza só tenho memórias de felicidade. Albert Camus dizia que, para ele, a pobreza (não a miserabilidade) era o ideal de vida. Pobre, foi feliz. Conheceu a infelicidade quando entrou para o Liceu e começou a fazer comparações. A comparação é o início da inveja que faz tudo apodrecer. Aconteceu o mesmo comigo. Conheci o sofrimento quando melhoramos de vida e nos mudamos para o Rio de Janeiro. Meu pai, com boas intenções, me matriculou num dos colégios mais famosos do Rio. Foi então que me descobri caipira. Meus colegas cariocas não perdoaram meu sotaque mineiro e me fizeram motivo de chacota. Grande solidão, sem amigos. Encontrei acolhimento na religião. Religião é um bom refúgio para os marginalizados. Admirei Albert Schweitzer, teólogo protestante, organista, médico, prêmio Nobel da Paz. Quis seguir o seu caminho.

Tentei ser pianista. Fracassei. Sobrava-me disciplina e vontade. Faltava-me talento. Há um salmo que diz: "Inútil te será levantar de madrugada e trabalhar o dia todo porque Deus, àqueles a quem ama, ele dá enquanto estão dormindo." Deus não me deu talento. Deu todo para o Nelson Freire, que também nasceu em Boa Esperança. Estudei teologia. Fui pastor no interior de Minas. Convivi com gente simples e pobre. Lá um pastor é uma espécie de "despachante" para resolver todos os problemas. Mas já naquele tempo minhas idéias eram diferentes. Eu achava que religião não era para garantir o céu, depois da morte, mas para tornar esse mundo melhor, enquanto estamos vivos. Claro que minhas idéias foram recebidas com desconfiança... Em 1959 me casei e vieram os filhos Sérgio (XII.59) e Marcos (VII.62). Em 1975 nasceu minha filha Raquel. Inventando estórias para ela descobri que eu podia escrever estórias para crianças (A lista dos livros infantis que escrevi estão na Biblioteca). Fui estudar em New York (1963), voltei um mês depois do golpe militar. Fui denunciado pelas autoridades da Igreja Presbiteriana, à qual pertencia, como subversivo. Experimentei o medo e fiquei conhecendo melhor o espírito dos ministros de Deus... Minha família e eu tivemos de sair do Brasil. Fui estudar em Princeton, USA, onde escrevi minha tese de doutoramento, Towards a Theology of Liberation, publicada em 1969 pela editora católica Corpus Books com o título A Theology of Human Hope. Era um dos primeiros brotos daquilo que posteriormente recebeu o nome de Teologia da Libertação. Se você quiser saber um pouco sobre o que aconteceu comigo nesses anos, leia o ensaio Sobre deuses e caquis (O quarto do mistério, p 137). O tempo passou, mudou meu jeito de pensar, voltei ao Brasil em 1968, demiti-me da Igreja Presbiteriana. Com um Ph.D. debaixo do braço e sem emprego. Foi o economista Paulo Singer, que fiquei conhecendo numa venda de móveis usados em Princeton, que me abriu a porta do ensino superior, indicando-me para uma vaga para professor de filosofia na FAFI de Rio Claro, SP. Em 1974 transferi-me para a UNICAMP, onde fiquei até me aposentar.

Golpes duros na vida me fizeram descobrir a literatura e a poesia. Ciência dá saberes à cabeça e poderes para o corpo. Literatura e poesia dão pão para corpo e alegria para a alma. Ciência é fogo e panela: coisas indispensáveis na cozinha. Mas poesia é o frango com quiabo, deleite para quem gosta... Quando jovem, Albert Camus disse que sonhava com um dia em que escreveria simplesmente o que lhe desse na cabeça. Estou tentando me aperfeiçoar nessa arte, embora ainda me sinta amarrado por antigas mortalhas acadêmicas. Sinto-me como Nietzsche, que dizia haver abandonado todas as ilusões de verdade. Ele nada mais era que um palhaço e um poeta. O primeiro nos salva pelo riso. O segundo pela beleza.

Com a literatura e a poesia comecei a realizar meu sonho fracassado de ser músico: comecei a fazer música com palavras. Leituras de prazer especial: Nietzsche, T. S. Eliot, Kierkegaard, Camus, Lutero, Agostinho, Angelus Silésius, Guimarães Rosa, Saramago, Tao Te Ching, o livro de Eclesiastes, Bachelard, Octávio Paz, Borges, Barthes, Michael Ende, Fernando Pessoa, Adélia Prado, Manoel de Barros. Pintura: Bosch, Brueghel, Grünnenwald, Monet, Dali, Larsson. Música: canto gregoriano, Bach, Beethoven, Brahms, Chopin, César Franck, Keith Jarret, Milton, Chico, Tom Jobim.
Sou psicanalista, embora heterodoxo. Minha heterodoxia está no fato de que acredito que no mais profundo do inconsciente mora a beleza. Com o que concordam Sócrates, Nietzsche e Fernando Pessoa. Exerço a arte com prazer. Minhas conversas com meus pacientes são a maior fonte de inspiração que tenho para minhas crônicas.

Já tive medo de morrer. Não tenho mais. Tenho tristeza. A vida é muito boa. Mas a Morte é minha companheira. Sempre conversamos e aprendo com ela. Quem não se torna sábio ouvindo o que a Morte tem a dizer está condenado a ser tolo a vida inteira.

 

Dr. Geraldo Freire

 “GERALDO FREIRE DA SILVA”, político brasileiro, advogado, Promotor de Justiça de Minas Gerais, escritor e reconhecido orador. Nasceu em Boa Esperança, Minas Gerais, em 29 de junho de 1912 e faleceu em Brasília, Distrito Federal, em 01 de julho de 2002.

Formou-se em Direito pela Universidade Federal Fluminense no ano de 1938.
Foi agraciado pelo Vaticano – Papa Pio XII com a Comenda da Ordem de São Silvestre, pelos seus ideais cristãos e relevantes serviços prestados à Igreja.
Político defensor da ética e dos valores humanos.


Atividades públicas:
-Exerceu a advocacia a partir de 1939.
-Por concurso público, foi o primeiro Promotor de Justiça do Estado de Minas Gerais, exercendo essa atividade de 1939 a 1954.
-Em 1954 ingressou na carreira política, tendo sido Vice-presidente do Diretório Regional da União Democrática Nacional – UDN, por dois mandatos consecutivos.
-Deputado Federal por Minas Gerais de 1961 até 1979, destacando-se na eleição de 1972 como o candidato com maior votação do Estado.
.Membro da Comissão de Constituição de Justiça da Câmara dos Deputados, desde o início de seu primeiro mandato.
.Em 1965, com a instauração do bipartidarismo, filiou-se à Aliança Renovadora Nacional (ARENA), partido do qual foi Vice-líder em 1967.
.Em 1968 foi indicado Líder do Governo, cargo que exerceu até 1969.
.Presidente do Diretório Regional da ARENA de Minas Gerais de 1969 até 1975.
.Em 1970 foi Presidente da Câmara dos Deputados.
.Em 1974, Presidente da Comissão de Educação e Cultura daquela Casa.
.Em seu último mandato, foi Relator Geral da Comissão de Reforma do Código de Processo Penal, ocasião em que proferiu palestras sobre o tema, nas principais universidades brasileiras.
.Autor e relator de projetos de grande repercussão nacional, como o da correção monetária nas desapropriações, remuneração de vereadores, criação do Ministério de Interior, dentre outros de igual importância.
-Foi Diretor Jurídico da CEMIG – Centrais Elétricas de Minas Gerais e Membro do Conselho do Banco de Crédito Real de Minas Gerais.
-Retirou-se da vida pública em 1980, dedicando-se às suas fazendas dos Pintos, em Boa Esperança, MG, e de Santo Antônio, em Santo Antônio do Descoberto, GO.


Atividades Religiosas:
-Membro ativo da Igreja Católica, tendo exercido cargos de direção na Sociedade São Vicente de Paulo de Boa Esperança, Liga Agrária Católica da Diocese da Campanha, Provedor da Irmandade do Santíssimo Sacramento e outras confrarias e entidades de assistência social.
-No Congresso Nacional foi um dos fundadores e participante efetivo do Grupo Parlamentar Cristão, do qual foi o primeiro presidente em 1965. Integrou a comitiva que representou esse Grupo na Argentina, Uruguai e Chile.
-Foi a Roma, em 1969, como representante pessoal do Presidente da República na investidura do Barrete e do recebimento do anel cardinalício dos novos cardeais brasileiros Alfredo Vicente Scherer e Eugenio de Araújo Sales, por S.S. o Papa Paulo VI.
-Pautou suas ações enquanto parlamentar sempre na defesa da família, da moralidade e da ética.
-Após seu afastamento das atividades públicas, dedicou-se intensamente a proferir conferências, palestras em Igrejas, Catedrais e Universidades, debatendo questões sobre catequese, ensino rural, reforma agrária, divórcio e obras assistenciais.


Atividades Literárias:
-Desde a infância dedicou-se à literatura, na adolescência escreveu poesias e dirigiu um pequeno jornal em Muzambinho/MG – “O Pioneiro” e na mocidade dirigiu dois periódicos, em sua terra natal, “A Ordem” e “A Vanguarda”.
-Membro efetivo da Academia de Letras de Brasília, Academia Dorense de Letras de Boa Esperança(da qual foi fundador), Academia Sul Mineira de Letras de Campanha, Academia de Letras, Ciências e Artes de Varginha. Também foi membro correspondente de outras academias nos Estados de Minas Gerais, Goiás e São Paulo.
-Livros publicados: Coragem e Fé (versos), Ao Longo da Vida (memórias), A Revolta das Águas (romance), Vivendo e Sonhando.
-Outras obras publicadas como discursos, conferências, artigos em jornais e revistas, pareceres e trabalhos forenses e parlamentares.


Condecorações recebidas:
- Comendador da Ordem de São Silvestre, o Papa;
- Comendador da Ordem do Mérito Naval;
- Comendador da Ordem do Mérito Aeronáutico;
- Comendador da Ordem do Fundador José Alves de Figueiredo.

- Grande Oficial da Ordem do Mérito Aeronáutico;
- Grande Oficial da Ordem do Congresso Nacional;
- Grande Oficial do Estado do Tocantins;
- Grande Oficial da Liga de Defesa Nacional e Grã-Cruz da Ordem de Rio Branco.

- Medalha do Mérito Tamandaré;
- Medalha do Centenário de Vital Brasil;
- Medalha do Sesquicentenário do Colégio Pedro II;
- Medalha da Inconfidência;
- Mérito Legislativo da Assembléia de Minas Gerais e
- Medalha do Estado de West Virgínia- USA.


Outras Atividades:

-Primeiro Diretor do Ginásio São José, em Boa Esperança.
-Proferiu inúmeras aulas inaugurais em cursos de graduação e extensão, bem como conferências sobre temas jurídicos em Universidades e Faculdades de Belo Horizonte, Brasília, Juiz de Fora, Pouso Alegre, Lavras, Alfenas, Varginha, Boa Esperança, Machado, Três Corações, Formiga, etc.

-Agricultor e pecuarista. Atividade que exerceu mais intensamente antes de seu envolvimento na política e depois que se retirou da vida pública.

Em Boa Esperança

Um dos fundadores do Colégio São José, da Escola Padre João Vieira da Fonseca e da Faculdade de Filosofia, Ciência e Letras de Boa Esperança, MG.

Um dos fundadores da Vila Vicentina

Um d os fundadores da CAPEBE – Cooperativa Agropecuária de Boa Esperança.

Junto com José Lourenço Leite Naves e Wagner Augusto Portugal fundaram a Academia Dorense de Letras.

Lutou até conseguir levar o asfasto a Boa Esperança

Empenhou, pessoalmente, na construção do primeiro dique do Lago dos Encantos em Boa Esperança. Quando de seu rompimento foi exclusivamente obra de seu mandato parlamentar a reconstrução do dique de Boa Esperança.
 

 



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